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On domingo, 19 de fevereiro de 2012 4 comentários


A Bíblia conta uma história sobre um rei que resolveu dar um banquete pela ocasião das bodas do seu filho. (Mateus 22.1-14) O curioso é que os convidados não quiseram ir. O mais surpreendente é que este mesmo rei enviou seus servos para as estradas a fim de reunirem a todos os que encontrassem, sem distinção, bons e maus.

"O reino é uma mesa de ouro e todos nós somos mendigos." Diante desta constatação, o único requisito para que estejamos sentados ao seu redor é a Graça! Ela permite o acesso tanto de fariseus convencidos quanto de cobradores de impostos desonestos. Do mais rico ao mais humilde, do homem são ao doente em estado crítico. Por meio dela, o ladrão, réu confesso, recebe perdão e adentra as portas do reino incondicionalmente.

Poder, fama, riquezas, popularidade, sucesso... Não são importantes aqui, pois nenhuma destas coisas reduz a verdade de quem somos - maltrapilhos que necessitam desesperadamente do alimento substancial desta mesa. Pecados, angústias, estigmas, limitações, não podem impedir que o convite da Graça chegue a nós, porque ela se estende a todo aquele que reconhece o quão quebrado está. "O homem nasce quebrado. Ele vive para ser remendado. A graça de Deus é a cola." (Eugene O' Neil)

Todos nós somos como cegos tentando encontrar o caminho. Máscaras e lisonja não são necessárias. Não precisamos agradar ao dono da festa, isso não nos trará mérito algum, porque afinal, não temos mérito algum. É Graça! Pura, sem medida e real! A única coisa que podemos fazer é aceitar o seu convite e participarmos de uma refeição jamais encontrada em qualquer outro lugar!

Os sapatos estão gastos de andar por estes desertos, e nossos pés, doloridos, mas os sussurros da Graça nos asseguram não um caminho mais fácil, porém a certeza de uma estrada que nos conduzirá até ao lar. De forma impensável e maravilhosa, o céu está aberto, e isto não é feito nosso. Foi o dono da Graça, o despenseiro de tão inefável amor. Afinal, "não há nada que possamos fazer para Deus nos amar mais, não há nada que possamos fazer para Deus nos amar menos!" (Philip Yancey)


On terça-feira, 17 de janeiro de 2012 1 comentários


Há momentos em que não consigo escrever. Não importa o quanto tente, as palavras simplesmente não se adequam ao tema. Não fazem muito sentido, ao menos pra mim. Não expressam o que tenho em mente. Quando isto acontece, não adianta continuar, o resultado é conhecido: não conseguirei escrever, pelo menos não algo melhor ou no mínimo tão bom quanto me proponho a fazer.

Quando o assunto é mais sublime do que conheço, mais importante e infinitamente maior do que tudo que existe, quando o assunto é Deus ou algo referente a Ele, não posso ser negligente. Não devo, nem usarei minhas próprias e tão parcas palavras, não darei meu "toque especial", embora compreenda que meu estilo e mente são ferramentas que Ele usa. Mas não devo esquecer quem é o Mestre; sou apenas aprendiz.

Percebo que assim também ocorre na vida. Às vezes (será mesmo que só às vezes?) tentamos dar uma pincelada no quadro que não nos pertence. Achamos que nossa intervenção, conselho, nossas habilidades, experiências ou "maturidade" são necessárias e acabamos piorando tudo. Necessários para quem? Ou para quê? É quando nossos pensamentos se tornam os únicos a ter importância e nossas palavras, leis. Mas os problemas apenas aumentam e as decepções aparecem, então nos sentimos frustrados.

Tudo por que queremos dar uma "mãozinha" a Deus. Como se Ele precisasse disso! Por que é conveniente para nós. Aliás, tudo se trata disso: conveniências. "Se é conveniente pra mim, então tudo certo!"

O que falta para entendermos que Deus não necessita de ajudinhas? Ele é suficientemente Deus para conduzir o mundo e também nossa vida, suficientemente poderoso para realizar o impossível, forte para remover os muros e prisões que nos cercam, grandiosamente misericordioso para nos perdoar quando nos voltamos para Ele e extremamente gracioso para nos conceder vida quando o que merecemos é a condenação!

O que é uma mãozinha diante das mãos que criaram o universo? O que um homem debilitado pelo pecado pode fazer diante de um Deus santo e perfeito? "Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa." (Tiago 4.14)

"Conta a lenda que um agricultor estava revoltado com Deus. Achava que Deus não estava no controle do tempo como deveria. Havia sol quando devia chover, havia chuva quando devia haver sol e assim por diante. Após muitos confrontos, o agricultor conseguiu que, pelo menos um ano, Deus lhe desse o comando sobre o tempo. Todo feliz, preparou a terra, semeou o trigo e manteve o controle dos dias de chuva e dos dias ensolarados.

Viu satisfeito como o trigo germinava e crescia como jamais havia acontecido. As espigas se formaram enormes. Fez brilhar o sol para que o trigo estivesse maduro e seco para a colheita. Quando iniciou a colheita, com enorme desapontamento viu que as espigas estavam vazias. Havia esquecido do vento para provocar a polinização e assim a frutificação das espigas."

Esta pequena história nos dá noção de que Deus sabe o que está fazendo, ao contrário de nós muitas vezes. Deixemos, portanto, o controle nas Suas mãos. Ele é soberano na sabedoria, no tempo, na justiça, e em tudo o que possamos pensar. Faça-nos entender Senhor que Tu és Deus, e nós não somos! Ensina-nos em amor esta verdade!

Que Ele pois nos abençoe!

On quarta-feira, 14 de setembro de 2011 5 comentários


Certas histórias têm um encanto tão peculiar que produz em nós, não apenas reflexões, mas também um desejo por sermos parte delas, nem que seja por um momento. Duas dessas histórias são particularmente especiais para mim: As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis e O Peregrino, de John Bunyan. Histórias fantásticas que são dignas de serem buscadas, caso o caro leitor ainda não as conheça.

As Crônicas de Nárnia, escritas pelo consagrado autor britânico Clive Staples Lewis, ou C. S. Lewis, como é mais conhecido, compreende uma coletânea de sete livros, escritos entre 1949 e 1954 e publicados no período de 1950 a 1956, é considerado um clássico da literatura infantil. Nárnia evoca um mundo onde há mais para ser visto do que a mente de crianças e adultos pode abarcar à primeira vista. Acima de tudo, o mundo de Nárnia respira as Escrituras Sagradas! O Peregrino, de John Bunyan, por sua vez, é uma alegoria cristã que narra a trajetória do peregrino chamado Cristão desde a Cidade da Destruição, onde morava, até a Cidade Celestial.

Ao refletir sobre meus próprios pensamentos em relação a estas duas histórias, entre tantas outras, fico imaginando quantas foram as vezes que desejamos entrar no mundo destes personagens incríveis, respirarmos este ar puro e diferente do habitual, onde até mesmo os momentos adversos se constituem mais "leves" e "belos" do que jamais sonhamos:

No palácio de Cair Paravel ou a bordo do Peregrino da Alvorada, enfrentando os desmandos da Feiticeira Branca ou a luta de Cristão com Apoliom. Fora da Cidade da Destruição em busca do lar verdadeiro ou contemplando o País de Aslam. Quase desfalecendo no Terreno Encantado ou perdendo as esperanças no Castelo da Dúvida, na companhia e segurança do Senhor da Cidade Celestial ou ante a força, imponência e doçura de Aslam.

É olhando para esta tendência que temos de nos "transportar" para histórias alheias, e que ao mesmo tempo são tão nossas, de querer fugir do nosso cotidiano tão previsível, que percebo algo tão simples e justamente por ser tão simples, grita de forma suave - isto mesmo - tentando nos avisar, que é nossa vida, nossa realidade, aqui e agora, que dá base para histórias como as retratadas por Lewis e Bunyan galgarem a existência. As histórias não se modificam, são exatamente as mesmas, ora com mais encanto, ora com mais temor.

Mas o que muda afinal? Simplesmente as pessoas e o contexto, porque histórias de vida são singulares, assim como as pessoas. Então, da próxima vez que se sentir propenso a sonhar com a realidade de determinado personagem, esteja disposto a se envolver e interagir em sua própria história! O Deus que tirou Cristão da Cidade da Destruição e o guiou em paz e misericórdia ao seu porto final, é o mesmo Deus que o acompanhará em sua viagem até a Cidade Celestial.

"Nosso mundo é Nárnia - soluçou Lúcia. - Como poderemos viver sem vê-lo?
Você há de encontrar-me, querida - disse Aslam.
Está também em nosso mundo? - perguntou Edmundo.
Estou. Mas tenho outro nome. Têm de aprender a conhecer-me por esse nome. Foi por isso que os levei a Nárnia, para que, conhecendo-me um pouco, venham conhecer-me melhor."
(As Crônicas de Nárnia - A Viagem do Peregrino da Alvorada.)

Isto é pura verdade. Aslam, o forte e doce leão, se faz presente entre nós. O nome dele? Ah, você sabe. É ele sim! Jesus, o Leão da Tribo de Judá. Emanuel - Deus conosco!

Deus os abençoe e até a nossa próxima conversa pessoal!



On sábado, 16 de julho de 2011 2 comentários


Boa tarde a você leitor do C.D.C. Já ouviu falar sobre homeostase? Não? É provável que você saiba o que é, porém não se ateve ao nome. É justamente este o assunto da nossa conversa de hoje. Então, vamos lá!

Em termos bem simples, a homeostase, também conhecida como homeostasia, é qualquer mecanismo capaz de reestabelecer o equilíbrio natural, seja de um corpo, de um órgão ou mesmo de um sistema. Em se tratando do corpo humano, podemos citar como exemplos de homeostase, o suor, que libera parte do calor, impedindo que ocorra um super aquecimento, o que levaria uma pessoa a óbito e o sono, que é de vital importância, entre outras coisas, libera o hormônio do crescimento - GH - e a leptina, responsável por controlar a sensação de saciedade. Ele ainda regula nossa concentração, humor e disposição.

E foi pensando sobre isto, que me veio à mente um fato extremamente deixado de lado em nossos dias: assim como o corpo físico necessita de equilíbrio para desempenhar suas funções, o espírito igualmente precisa da homeostase divina, para que viva. E por mais que tentemos prover um equilíbrio isolado do outro, é algo impossível, visto que quando há um problema de ordem espiritual, todo o corpo também sofre.

Quando o corpo sente fome recorremos aos alimentos, do mesmo modo, quando o espírito está faminto, só há um alimento capaz de saciá-lo - a palavra de Deus - a qual nos leva a adotar um estilo de vida compatível com a Sua vontade. Em sua ausência, instala-se um caos de proporções maléficas: o medo toma o lugar da confiança, o homem se estriba em seu próprio entendimento e engana-se quando pensa que os caminhos por ele escolhidos, são caminhos de paz, pois como encontramos em
Provérbios 14.12, no fim, são caminhos de morte.

À medida que damos nossos primeiros passos vacilantes na direção de Deus, nossas orações nos permitem colocar diante dEle nossos anseios, dúvidas, problemas, sonhos, esperanças, e de forma direta e preciosa, nos capacita para ouvirmos Sua voz e aquilo que deseja de nós, estabelecendo desse modo, uma relação de intimidade com o Deus que nos formou, nos conhece e nos ama.

Porém, apesar de sua importância, estes e tantos outros aspectos de equilíbrio entre nós e Deus, têm sido desprezados. Entretanto, nada se compara quando menosprezamos o maior de todos os presentes, o qual foi capaz de reestabelecer a ligação do homem com o Pai. Algo tão precioso, imerecido e que demonstra um amor indizível: o Pai entregou Seu único filho por pessoas como eu, como você.

Enquanto buscávamos -
e muitos ainda o fazem - prazeres, orgias, bebedeiras, adultérios, roubos, assassinatos, luxúria, cobiça, egoísmo, idolatria, Ele fez uma escolha. Enquanto nos deleitávamos em toda esta imundícia, Ele abrindo mão de Sua glória, viveu uma vida de privações, quando chegamos ao ponto mais fundo do despenhadeiro das trevas, Ele tomou a cruz. E quando nossos vis pecados estavam sobre seus ombros inocentes, se fez maldito aos olhos do Pai; no ápice de sua dor, ladeado por dois ladrões, nos perdoou. E ao expirar, reestabeleceu nossa comunhão com Deus e ao ressuscitar, nos trouxe esperança!

Sem o sacrifício de Jesus, o qual permanece sobre nós eternamente, nenhuma de nossas orações seriam possíveis, nem poderíamos discernir espiritualmente o que lemos em Sua palavra, pecados continuariam tendo a necessidade de serem expiados por sangue de bois e ovelhas.

O sangue de Cristo é a homeostase perfeita que nos conduz de volta para Deus!


Concluindo, deixo este vídeo para que meditem. Deus os abençoe!

On terça-feira, 14 de junho de 2011 7 comentários


Em nossos dias há uma deturpação incrível de valores, do uso das palavras e principalmente de seu significado. Um destes conceitos tão preciosos, que tem sido desgastado e mal empregado não somente em sua utilização , mas também em sua prática é o da comunhão. Vamos tentar entender um pouco sobre esta questão e após identificarmos alguns equívocos, buscarmos viver diariamente o assunto desta conversa decente cristã de hoje.

"Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!" (Salmos 133.1)


Este é um texto bastante conhecido e trata justamente da importância da união entre os irmãos. Entretanto, há a idéia equivocada de que viver em união é se reunir em um determinado lugar, por exemplo, na igreja, e cumprimentar a todos, ser gentil e simpático com os visitantes e coisas do gênero. Isto não é comunhão, muito pelo contrário, não passa de superficialidade.

Viver em união é diferente de estar reunido.

Comunhão é uma palavra grega -
Koinonia - e que aponta para um relacionamento espiritual, profundo e pessoal entre aqueles que são membros do corpo de Cristo. Longe de ser superficial, é uma interação, uma comunicação sincera que permite perceber uma dor não demonstrada, ainda que exista um sorriso estampado no rosto, que é revelada nas ações, onde cada um cuida do outro como se fosse de si mesmo, não visando seus próprios interesses, que se alegram com os que sorriem e choram com os que estão em pranto:

"Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram." (Romanos 12.15)


E essa percepção só é possível porque existe uma vida compartilhada, não algo extraído de um simples encontro! De pessoas que entenderam que é mais fácil suportarem o peso dos fardos que carregam se em amor o partilharem com outros:

"Levai a carga uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo." ( Gálatas 6.2)


Outra característica importante acerca da comunhão verdadeira é que ela traz crescimento. Exemplo claro disso é encontrado em Atos 4.32-35:

"Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das cousas que possuía; tudo, porém, lhes era comum. Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Pois nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos; então se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade."

Entendemos com isto que, embora não seja fácil entrarmos no mundo de nossos semelhantes e permitirmos que eles conheçam o nosso, devido a tanto fatores, como indiferença, egoísmo, timidez ou medo, não é impossível vivermos em comunhão. Percebemos que ao levarmos o fardo uns dos outros, partilhando dos problemas e das bem-aventuranças, dos quais todos nós recebemos uma quantia, tornam nossa jornada mais leve e descobrimos muitas histórias que em vários aspectos se entrelaçam com a nossa, nos ensinando que sempre há mais para aprendermos com a pessoa que está ao nosso lado do que poderíamos supor.

E o mais importante, chegando ao ponto central implícito do nosso texto: aprendemos primeiramente que Deus nos amou e que Seu cuidado se estende de tal forma a nós, que dessa maneira, podemos amar, não de palavras, mas em atitude, de fato e de verdade, cuidando uns dos outros!


Deus os abençoe.

On sábado, 14 de maio de 2011 2 comentários


Olá pessoal. Hoje irei compartilhar com vocês um texto que escrevi há mais ou menos dois anos para o Impactando Vidas. Embora o tempo tenha passado, espero que a essência destas palavras, fale a cada um.

O que faz de alguém rei? O que determina sua autoridade e domínio?
A forma como foi coroado, a maneira com que se porta com seus súditos, o respeito, amor, ódio ou temor que suscita, se descende de linhagem real ou não, se possui riquezas incontáveis ou grandes possessões?

Evidentemente, todos estes fatores contribuem para identificar um soberano e determinar um reino; entretanto, não são condicionantes indispensáveis a esse mister; não necessariamente esses quesitos qualificam um indivíduo para ser um soberano, e não é exagero afirmar que, não são apenas seres humanos que partilham desse "status" nas sociedades, bem como no coração do homem.

Parece complicado? Tornemos então simples. Temos inúmeros exemplos. Em um mundo cada vez mais consumista, onde impera o dinheiro, a satisfação sexual, que não é mais uma necessidade do ser humano, mas tornou-se algo banal e extremamente vulgar, indo contra o propósito de Deus para a formação e manutenção da família, a paranóia por um corpo perfeito, de uma magreza exacerbada, para citar apenas alguns, são claros indícios do que hoje, ocupa o lugar de soberania em nossas vidas. O próprio Jesus disse que este mundo tem um príncipe, que em tudo é contrário a Deus e a seus princípios.
(João 14.30)

Quem ou o quê reina em sua vida, e o que você é capaz de fazer para serví-lo? Muitos já chegaram ao extremo de matar, aniquilar a própria existência e sacrificar todas as promessas de Deus pra suas vidas. Não adianta colocar no lugar certo o que está errado; da mesma maneira que avaliamos nossas premissas e buscamos colocar em pauta o que mais importa, assim devemos reconsiderar a primazia de Deus no trono do nosso viver.

"Ninguém pode servir a dois senhores; porque há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas", são palavras de Jesus encontradas em Mateus capítulo seis, verso vinte e quatro; fica claro então, que devemos decidir a quem vamos dar prioridade no nosso coração, e da mesma forma que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, assim também é na nossa mente, no nosso viver.

Por outro lado, não adianta professarmos com nossos lábios que servimos a Deus e que Ele reina sobre nós, se não o honramos com nossas ações e pensamentos, com nosso procedimento com as pessoas, enfim, se nosso interior estiver corrompido, se vivemos apenas para satisfazer a nossas vontades doentias, se não fazemos nada para expandir o reino de Deus, isso mostra que Ele não está ocupando o lugar que lhe é devido.

Dizer que Cristo é rei apenas quando estamos em um momento de comunhão com Ele, quando estamos reunidos com outros que professam da mesma fé é muito fácil. Não basta levantarmos as mãos em um momento de adoração, nem sair à rua com uma Bíblia, ir à igreja toda semana, ou outras coisas do gênero que foram já bastante banalizadas.

Se fizermos tudo isso, mas o nosso coração continuar negligenciando a autoridade de Deus, cedendo o seu trono a outros impostores, se continuarmos a agir da mesma maneira rebelde, mostrando as nossas máscaras de super espirituais, de pessoas de bem, aos domingos na igreja, ou durante o resto da semana em nosso ambiente de trabalho, estudo ou diversão, quando não condiz com o que temos vivido, mostra apenas que Deus não reina sobre nós, não da maneira que deveria.

É necessário fazê-lo reinar todos os dias em nossas vidas, de forma que isso se torne visível no nosso falar, agir, na nossa responsabilidade com nossos compromissos, na fidelidade com que honramos nossos cônjuges, nossos filhos, nossa compaixão com aqueles que necessitam de nossa ajuda, no respeito com todas as coisas criadas pelo nosso Senhor, e acima de tudo, na reverência, amor, obediência para com Deus, só então a adoração que prestamos nos cultos públicos, será a extensão do nosso culto particular que se resume em nossa própria vida, não mais vestiremos a roupa do publicano contrito, enquanto nosso interior é o do fariseu orgulhoso, mas esse quadro será revertido e o mundo poderá ver, através de nossas atitudes, o viver de Cristo.

Deus o abençoe grandemente!


On quinta-feira, 14 de abril de 2011 3 comentários

Nos tempos em que participantes de reality shows são considerados heróis e os endinheirados e famosos são vistos e aplaudidos, resta-nos a triste constatação de que o desejo de muitos - de ser invisível - tornou-se de modo avesso, realidade.

Incrível saber que para serem percebidos, muitos dos que vivem próximos a nós precisam morrer; neste caso, diversas vezes nos perguntamos quem era o senhor da portaria, o gentil vizinho que nos cumprimentava todos os dias pela manhã, a honesta vendedora de pipocas e guloseimas que fazia a alegria de nossos filhos, o policial que fazia ronda em nossa rua, o professor que anos a fio, ainda que desprezado, tentava nos transmitir algo de positivo, que somasse não apenas no quesito cultura, acúmulo de saber, mas em educação, em conhecimento prático pra vida.

Como é duro e grotesco ver uma geração que enaltece ídolos de carne e osso, os quais sem pudor, estragam suas próprias vidas em público da forma mais bizarra possível, influenciando-os de modo desastroso, enquanto esquece, deprecia e aborrece exemplos de virtude e respeito que permanecem sob o mesmo teto.

A grande maioria das pessoas sabe quem foi o ganhador do último BBB e se recordam de muitos integrantes da primeira edição do programa, ainda têm em mente a vívida lembrança da mulher que se exibiu na capa da Playboy ou outra revista sexualmente apelativa do mês passado. Sabem cantar com perfeição músicas obscenas ou sem sentido algum, em contrapartida, não sabem entoar sequer metade do hino nacional. Inúmeros homens se esmeram em roubar, mentir e defraudar de todas as formas pensadas e inimagináveis seus semelhantes, mas não sabem o que lhes foi ensinado em casa durante a infância e adolescência acerca do sentido de respeito, honestidade e caráter. Sabem quem são e o que fazem os atores e atrizes de novelas, filmes, e modelos, entretanto, não sabem quem são, fizeram e fazem os próprios pais e irmãos, amigos ou Jesus.

Temos uma ótima visão. Quando se trata de olhar e apontar o erro uns dos outros, de cobiçar o bem que o outro tanto lutou para obter, ah, não há problema algum, não há grau de miopia ou outro distúrbio ocular, por mais alto, que nos embace a visão. Mas é uma tragédia quando não conseguimos enxergar as pessoas e suas necessidades, mesmo embotadas por uma máscara muito bem planejada e estruturada. Vezes incontáveis, ficamos insensíveis aos sinais tão evidentes de pedidos de socorro que nos são lançados todos os dias por aqueles que convivem e dividem conosco a casa e a própria vida.

Tudo isto me faz lembrar um conto árabe que relata a história de um viajante que levava consigo um saco repleto de sementes e passou a vida plantando árvores. Ele não recebia nada por isso e muitos o questionavam dizendo que as sementes levariam muito tempo para germinar e as árvores, ainda mais para crescer, de forma que quando isto acontecesse, ele provavelmente já estaria morto e não iria desfrutar do seu trabalho, e era muito mais provável ainda que ninguém soubesse que ele era o autor daquela façanha. Ao que ele respondia que não importava. Bastava a alegria de saber que um dia, um viajante como ele, iria encontrar uma sombra sob a qual repousar e frutos com os quais saciar a fome.

Sabe, por mais difícil que seja, tenho em mente que os invisíveis que plantam árvores de bons frutos por todo lugar, não passarão despercebidos pelos olhos daquele que vê todas as coisas:
"Os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons." ( Provérbios 15.3)

Ainda que seus nomes não sejam proferidos em grandes eventos e que suas vidas não sejam retratadas em filmes de grande audiência, ainda sim, suas digitais marcarão para sempre seus filhos, cônjuges, amigos e desconhecidos que vierem de alguma forma a contemplarem a beleza destas árvores.

Igualmente, aqueles que tomam o exemplo do grande Semeador, divulgando as boas novas, terão gratas surpresas quando avistarem os campos que já branquejam para serem colhidos. Resta-nos saber quem se empenhará em ser mais um invisível para este mundo, que certamente não o é para Deus.
"Porque, quanto ao Senhor, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele." ( 2 Crônicas 16.9a)




On segunda-feira, 14 de março de 2011 7 comentários

Quando criança tentei colecionar selos. O mais engraçado era que nunca consegui, por mais que tentasse, prosseguir com isto. Lembro perfeitamente que nesta época eu não escrevia cartas para ninguém, logo, também não as recebia, e embora minha família e amigos ajudassem com selos bem interessantes, perdi o entusiasmo, e por isso, a coleção terminou ainda bem cedo.

Já vi muitas pessoas colecionando as mais diversas coisas: medalhas, troféus, miniaturas, notas altas, recordes, vitórias... E quanto mais tenho vivido mais observo, infelizmente, como os homens ajuntam pedras como se fossem diamantes em seus celeiros: quantos há que colecionam namorados(as), casamentos, frustrações, perdas, fracassos, lamentações, quantos se empenham em guardar mágoas, inimigos e pecados? Tantas foram as prisões pelas quais passaram, que agora acham aceitável incluí-las em suas listas de objetos de estimação. E você, o que tem colecionado?

Pensando sobre este assunto, percebo que Jesus também tinha uma coleção especial, a qual compartilhou com seus discípulos e com todos aqueles que ainda hoje se aproximam dEle:
"Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram." (Mateus 4.18-20)

O que ele colecionava? Jesus colecionava pessoas! Ele não fazia isto como nós, que as colocamos numa estante, como animais exóticos, demonstrando desta forma, como são úteis para nossos objetivos, como meras conquistas. De forma alguma! Cristo mostrava-se à vontade com as pessoas, as quais, de igual modo, se sentiam bem ao Seu redor. Ele se agradava de passar horas com elas, falando-lhes do amor do Pai. Mostrou que não havia preconceitos de Sua parte para com cada ser humano, não importava se estes eram saudáveis ou leprosos, ricos ou humildes, judeus ou samaritanos.

Jesus via as pessoas como de fato eram, sem máscaras, com suas limitações, falhas e sua necessidade de Deus. Enxergava a inveja, o destempero e hipocrisia nos corações dos fariseus e mestres da lei, mas ainda sim, nunca os destratou, antes, revelou a verdade de quem Deus é o caminho certo a seguir.

Sabe, desde a malfadada coleção de selos, não tenho me entusiasmado a estimar algo, mas refletindo sobre a maravilhosa proposta que meu Deus, Salvador, Amigo e Senhor tem a compartilhar, tenho me proposto a colecionar pessoas também. Juntar amigos, percebendo suas necessidades e de alguma forma, tentar suprí-las. Sentar nas ruas se for necessário e dispor um pouco do meu tempo com os que receberam do mundo ingratidão, indiferença e humilhação, e falar-lhes de alguém que realmente se importa com o que sentem, com os desafios que têm a enfrentar a cada dia.

Quero aceitar sem receios o convite de Cristo e tornar-me uma exímia pescadora de pessoas e aprendiz na oficina divina, que aceita gente como eu, como você, nos moldando e tratando não como merecemos, mas com graça, misericórdia e um amor que não se pode mensurar. Aprender com Ele a ter tempo para amar e estar disposta a isto!

Assim como eu, posso ver centenas de pessoas a lançarem suas redes ao mar. Convido-te a fazer o mesmo. Vem! Deixe de lado estas coleções que um dia serão dissipadas pelo passar inevitável do tempo, e colecionemos um verdadeiro tesouro vivo: Pessoas!

Se Jesus dispôs tempo para isto, é por que realmente este era Seu propósito e nos deixa claro que era algo de suma importância. Que possamos aprender com Ele.

No amor de Cristo, de quem sou humilde parte de Sua tão grande coleção:

Gerlane Oliveira.


On segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011 12 comentários


Olá pessoal! Hoje é um dia muito especial, pois faz um ano que sou parte integrante desta equipe incrível de amigos e irmãos. Sou imensamente grata a Deus pela oportunidade de participar de algo para Sua glória e compartilhar Sua palavra a um número de pessoas que sequer posso mensurar.

Anderson Alexandre, Alex Holliwer e Marcello Junior muito obrigada pelo apoio, confiança e amizade sincera. Pelos momentos que me fizeram rir, chorar e refletir. Pelo que compartilharam e me ensinaram. Que Deus abençoe de forma extraordinária a vida de cada um de vocês, com graça e sabedoria. E a você leitor do C.D.C. obrigada por cada comentário, pelo seu tempo, por cada momento que você esteve disponível para ouvir o que Deus tem a dizer. Meu desejo sincero é que Ele o abençoe e direcione sempre em Seus caminhos.

Então, vamos conversar um pouco?


"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniquidade." (Mateus 23.27-28)

Certamente, em algum momento da vida, você já tenha se deparado com a hipocrisia. Talvez viva rodeado de hipócritas ou na pior das hipóteses, seja um. E o que é hipócrita? É alguém fingido. Hipocrisia é algo que não é assunto apenas do presente século. Jesus e seus discípulos tiveram que lidar com isto muitas vezes, viviam cercados pela falsidade dos fariseus, saduceus, escribas, sacedortes, homens da lei, cujo lema era o que pra nós é tão conhecido hoje: "Faça o que eu digo, mas não o que faço."

Eram homens que detinham uma espécie de poder baseado no medo e na exploração abusiva da fé das pessoas, e se consideravam especialistas nas Escrituras, em contrapartida, apesar de seguirem à risca toda a lei e os cerimoniais instituídos no período veterotestamentário (Antigo Testamento), adaptaram seus próprios rituais e conceitos humanos, decrépitos e falíveis ao que Deus em Sua soberania havia falado e instruído a seu povo. Agiam como se fossem de fato santos e o povo de seu tempo pecadores fadados ao inferno, não importando o que fizessem.

Aliado a tudo isto, ainda eram insensíveis, julgavam melhor deixar o moribundo morrer, o órfão e a viúva padecerem de fome, não tinham amor ao próximo e por estas e outras tantas razões, começaram a invejar e odiar Aquele que os contradizia, mostrando que tudo não passava de uma farsa, que não eram menos pecadores do que os outros, senão mais. A eles não se aplicava o que Cristo disse: "Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes." (Mateus 9.12) E o erro deles jaz aqui: não reconheciam seu estado de pecado e ainda impediam que muitos tivessem um encontro genuíno com Jesus. Mudando agora o foco um pouco daquele época, o que abordei para uma maior explicação, vamos nos atentar no que ocorre em nossos dias. Onde estão os hipócritas desta geração?

Hipócritas são os vendilhões do templo atual, os que conhecem a palavra de Deus e a distorce com o objetivo de se beneficiarem. Os pais da doutrina da prosperidade, que visam lucros e bênçãos, depreciando todo o Evangelho verdadeiro que prega humildade, que diz que não teremos uma vida sempre cor de rosa, mas que nos adverte que passaremos por adversidades, necessidades, seremos suplantados, julgados, injuriados, perseguidos, e muitos, mortos, por amor a Deus e à Sua Verdade. Vendilhões que enganam milhares de pessoas, muitas delas, inocentes, que com coração sincero acreditam estarem servindo a Deus da melhor forma, mas ao perceberem o engodo no qual foram envolvidas, acabam desiludidas, e muitas se afastam para não mais retornarem aos caminhos do Senhor.

Hipócritas são aqueles que se escondem no Cristianismo, defraudando o próximo, usando a capa do que chamam ser cristãos, e envergonham o Evangelho e o nome de Cristo.

Hipócritas somos nós, cristãos, quando por causa de denominações e suas tradições, coisas estas criadas pelo homem e não por Deus, vivemos em pé de guerra com o próximo. Quando abrimos mão de pregar o Evangelho que salva vidas para nos satisfazermos com o lodo do pecado, desprezando os menos favorecidos e os necessitados que adentram em nossos templos, recusando perdão, um simples "bem-vindo" e um abraço de acolhimento que diz muito sobre quem somos e o que de fato pregamos. Quando buscamos ostentação e os primeiros lugares, desfilando belas roupas e a aparência de super crentes.

E aqui eu pergunto: você vai pra igreja pra desfilar ou pra adorar a Deus e ter comunhão com seus irmãos? Melhor seria que rasgássemos estas roupas, não como os fariseus, que rasgavam suas vestes em sinal de vergonha, mas que de vergonha e arrependimento nada tinham, e acima de tudo rasgar nosso coração diante de Deus, desejosos de que Ele quebre este barro disforme e que para nada serve a não ser o lixo, e nos faça instrumentos de Sua glória e graça. Chega de números! Chega de fariseus!

Hipócritas são todos aqueles que não tem compromisso algum com Deus, que nada sabem sobre Ele e Seu amor, e o julgam um mesquinho, abrindo seus lábios como sepulcros ante o cadáver, proferindo palavras mentirosas a Seu respeito. O que sabem sobre o sacrifício dEle, Seus atributos? Hipócritas, não tenho medo de dizer e nem do que irão falar sobre mim, são todos aqueles que zombam de Deus, se achando sábios, mas quando a adversidade vem, recorrem a Ele, e somente nestes momentos, depois o riscam de suas vidas.

"Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos." (Romanos 1.22) Já posso ver alguns comentários a respeito disso aqui. Mas tenho um desafio a fazer. Apresentem um argumento diferente daqueles que estamos cansados de ouvir, os quais são sem fundamento, e que muitos repetem como papagaios, porque outros falaram, mas nem sequer acreditam no que dizem e mais sério ainda, não entendem o que estão dizendo. Você tem uma mente, já parou pra ponderar o porquê disso? Vou facilitar: é isso mesmo, para PENSAR. Então pense! Depois dessa, se quiser me bater, então que seja!

Resumindo: hipócritas são todos os homens. Desobedientes, pervertidos, caluniadores, maquinadores do mal e pecadores. Romanos 3.23 diz que todos, TODOS, sem exceção, pecaram e necessitam da glória de Deus. Então você pode estar perguntando: Se é assim, se todos pecaram, se todos são hipócritas, então vocês que se dizem cristãos também são, então, porque continuam acreditando nisto?

Sim, somos pecadores, mas há uma diferença: entregamos nossa vida a Jesus, e através dEle e apenas dEle, somos novas criaturas. (2 Coríntios 5.17) Embora pecadores, reconhecemos nossa condição, e cremos que ao nos conduzirmos a Deus verdadeiramente arrependidos, temos a garantia do próprio Cristo que seremos perdoados e habilitados para prosseguirmos com Ele. Pecar é uma coisa, continuar em pecado é outra muito diferente. Essa é a diferença: O sangue de Cristo nos limpou e regenerou. Talvez você nunca tenha parado pra pensar o que afinal significa esse Sangue do qual tanto falamos. Pois bem: mais uma questão pra pensar.

E se pensar e realmente quiser achar a resposta, a resposta é: CRISTO. Você pode ter sido um fariseu ou talvez seja um. Mas a boa notícia é que hoje, você pode se apresentar diante de Deus como aquele publicano arrependido, que dizia: "Ó Deus, sê propício a mim, pecador!" (Lucas 18.13b) Uma coisa eu asseguro: Ele irá ouví-lo e mudará sua vida como nada e ninguém mais poderá fazer.

Isso é pra mim, que sou hipócrita vezes sem conta (e se entendeu toda a questão acima, entenderá o por quê de tal afirmação), é pra você que não reconhece isso, é pra todos os hipócritas citados aqui. É difícil se ver em um dos lados desta moeda: Fariseu - Publicano, não? Difícil, porém, necessário.

O tempo de farisaísmo terminou. É tempo de levar Deus a sério, porque Ele o leva a sério!

nEle, que nos ama com amor infinito:
Gerlane Oliveira.



On sexta-feira, 14 de janeiro de 2011 4 comentários


Falar de fé é mais difícil do que parece; bem mais cômodo e comum falar da pouca fé e por que não, da falta dela. Que se dirá então da fé em algo vão, misticismos e coisas do gênero. É comum nos dias de hoje, o encorajamento de uma fé imatura em prol unicamente para alcançar bens materiais, sucesso profissional e uma vida de fartura - a tão conhecida doutrina da prosperidade. Apesar disso, não vou bombardear esta falsa prática, algo que ainda farei, mas não agora, não neste texto.

Enquanto escrevia estas palavras, milhares de pessoas apenas começavam a enfrentar uma situação de desespero e morte causados pelas chuvas e pelo descaso dos homens... Momento certo para abordar este assunto, afinal, é nos momentos onde o caos impera que nossa fé é provada e podemos perceber o quanto somos fortes quando pensamos o contrário.

Para Deus todas as coisas são possíveis. E quando a Bíblia diz todas, são todas. Ponto final! E fé é algo que precisamos exercitar. É necessário ter fé para nos aproximarmos de Deus, é por meio da fé, e fé em Cristo Jesus, que somos justificados perante Deus. Ela é o indicador do quanto confiamos e descansamos no Senhor.

"De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam." (Hebreus 11.6)

A fé requer atitude. Deus se agrada quando demonstramos atitudes baseadas em uma fé sólida e ousada, baseada na grandeza de quem Ele é e nunca na pequenez de quem somos. Moisés com uma vara abriu o Mar Vermelho, e pela fé, uma nação passou a seco por sua vastidão. Imagino o temor desse povo - à sua frente águas profundas cuja imensidão não se podia medir, às suas costas, um homem demente e seus comandados perseguindo-os com o único objetivo de matá-los.

Penso como deve ter sido terrível Abraão levando seu filho para o sacrifício. O coração sangrando, mas determinado... Em Isaque amedrontado ao olhar a expressão angustiada do pai. "Pai, onde está o sacrifício?" "Não se preocupe filho, Deus irá provê-lo." Um teste de fé! Homens iletrados, que revestidos pelo poder do Espírito romperam barreiras, levando o Evangelho a lugares onde jamais sonharam ir, onde seus pés nunca haviam pisado. Nada foi capaz de pará-los: limitações, medo, prisões, tortura, morte. Nada!

Uma mulher doente há doze anos que entendeu que tocar a roupa do Mestre era suficiente para sua cura, apesar de todo o preconceito à sua volta. O cego que clamou o mais alto que pôde para voltar a ver (ainda assim, sempre teve o principal: era o único que enxergava de fato no meio da multidão, apesar de sua visão física debilitada).

Pessoas que perderam tudo: casa, documentos, família, sonhos, cujos olhos são apenas lágrimas, mas ainda assim demonstram que é possível recomeçar, e no meio da tragédia, sua fé transforma-se em gratidão: "perdemos tudo, mas não o mais importante. Estamos vivos e Deus nos ajudará a construir uma nova vida em cima dos destroços da dor."

Atitudes ousadas de fé, como essas, é tudo o que precisamos! Crer que o impossível se faz possível não por quem somos ou fazemos, mas por quem Ele é, faz e pode fazer. Fé muito além de esperar e nada fazer, esperando que tudo caia como mágica em nossas mãos, mas uma fé crescida, de alguém que busca, espera, descansa e tem um relacionamento genuíno com Deus, crendo que o melhor Ele fará, ainda que nos conceda algo diferente do que pedimos ou pensamos, porque indiscutivelmente, sempre nos dá o melhor.

Fé pra fazer diferença. Não apenas esperando coisas grandiosas, embora, é certo, se tivermos fé, elas acontecerão. Foi o que Jesus nos disse, e Ele não mentiu a respeito disso, bem como em tudo o que nos falou. Fé acima de tudo, para contemplá-lo, que gera vida e santidade, e aí sim, fé para podermos vê-lo face a face.

Coloque o pé na água, olhe pro céu, pois de lá vem o seu socorro. Permita que sua fé seja uma semente de mostarda, pois ainda que seja pouca, ao exercitá-la, ela se tornará forte, grande e vigorosa. Uma fé capaz de mover muito mais que montanhas e lançá-las ao mar.

E guarde uma coisa consigo: "Deus quer abrir o mar pra você, mas antes... antes você precisa crer!"

Concluo deixando este vídeo, cuja música foi inspiração pra este post. Sei que deixo vídeos quase sempre, tenho uma razão pra isto, mas prometo que de agora em diante vou procurar reduzir a constância deles aqui. Deus os abençoe.

Em Cristo,
Gerlane Oliveira.

On terça-feira, 14 de dezembro de 2010 0 comentários

Existem certas coisas que não compreendo... Mas o fato de compreendê-las ou não, não as tornam mais fáceis pra mim... Há momentos como agora, em que todas as incertezas, o medo e minhas limitações, desabam sobre mim. É como um caminho desconhecido, as perspectivas e os sonhos estão ali, em contrapartida, a espera se faz presente, o fato de se tentar e aparentemente nunca alcançar, a brevidade da vida e todas as peças nem sempre agradáveis que ela nos prega, machucam... Mas com isso, também aprendo.

Aprendo que não alcançar, apesar dos meus esforços,não significa que não sou inteligente, que sou menos favorecida que alguém, ou que não tenha algum valor. O que somos, como refletimos a vida de Cristo e como agimos para com nossos semelhantes, é mais importante do que aquilo que temos ou não.

Aprendo que esperar, apesar de ser doloroso, de ir contra nossa tendência de realizar algo o mais rápido possível, me concede paciência, sabedoria e discernimento. Concede-me uma visão mais abrangente daquilo que Deus tem planejado para mim, e isso me faz lembrar das Suas palavras, quando diz:

"Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor: pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais." (Jeremias 29.11)

Por que os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos." (Isaías 55.8-9)

Aprendo que posso optar por dois caminhos, em meios às frustrações, tristezas e decepções: desistir, curvar a cabeça passivamente e agir como um derrotado, ou crescer, aprender que até chegar em um lugar mais alto, é provável que eu caia muitas vezes, mas ainda que levantar seja difícil, ainda que por dentro esteja em pedaços devido às proporções da queda, posso erguer-me, seguir adiante e o mais importante, posso ajudar a tantos outros, que apesar dos percalços durante a viagem, tem os olhos fixos no alvo, sabem onde querem chegar e por isso, seguem firmes e perseverantes. E por mais que a primeira opção seja tentadora, por ser a mais fácil, a mais simples, escolho a segunda, escolherei crescer!

Aprendo a não confiar em minha própria força ou entendimento, porém, unicamente no Senhor! Depender dEle para tudo e em qualquer circunstância!

Aprendo que não é porque um sonho meu foi desfeito que está tudo acabado. Sei que mais importante que realizar o que trago em mim, é viver na plenitude os planos de Deus em minha vida. Aprendo a cada dia, a difícil, mas necessária arte de renunciar. Renunciar ao meu eu, aos meus sonhos, às minhas vontades, quem eu sou, para que a boa, perfeita e agradável vontade de Deus seja realidade em meu viver.

Aprendo a continuar sorrindo, apesar das muitas lágrimas de tristeza e algo mais, que no momento, não consigo expressar.
"Ao anoitecer, pode vir o choro mas a alegria vem pela manhã." (Salmos 30.5b)

Aprendo que apesar dos pesares, de todos os "poréns" e dos "mas" que tentam me desanimar, além de me sentir tateando no escuro muitas vezes, minha confiança e fé, ainda que pequena, mas que desejo ver gigante a cada dia, permanecem firmes no Deus que está no controle e que não pode falhar!

E acima de todas as coisas, aprendo a recordar da bondade do Senhor que até aqui tem sustentado minha vida, que me permitiu chegar onde estou, a não esquecer que Suas mãos estão trabalhando, ainda que meus olhos embaçados não consigam ver, e que as mesmas mãos que apontaram o caminho certo a tantos perdidos, tristes e solitários, são as mesmas que não apenas me mostrarão por onde andar, mas também me manterão firme no caminho.

Não importa o que aconteça, Tu sempre serás Deus, por isso, tenho sempre razões pra Te adorar. Pela fé eu vou viver!

Por fim, deixo este vídeo cuja mensagem tem tudo a ver com este post. Deus os abençoe.


On domingo, 14 de novembro de 2010 6 comentários


Como diria meu amigo e colunista do C.D.C, Alex Holliwer, bom dia, boa tarde ou boa noite a você caro leitor. Hoje, iremos falar um pouco sobre algo que é muito constante em nossas vidas. Por isso, convido-o a parar um pouco, acomodar-se no universo desta palavra que tenho certeza, irá falar ao coração de cada um, afinal, este é nosso objetivo, fazer com que a Palavra viva e eficaz encontre morada em seus corações. Dito isto, vamos lá.

A mãe havia feito um bolo muito apetitoso. Ah! Era a alegria do dia! Mas também havia dito que não podia comê-lo, não ainda, porque além de quente, ela ainda não tinha almoçado. Mas o que criança geralmente faz? Bom, iria apreciar o gostinho do bolo pelas beiradas, dessa forma, a mãe não iria notar. E durante o almoço, optou pela mesma tática - enrolar o máximo que podia com aquela comida horrorosa, de aspecto verde e gosto ruim, iria comer o feijão e arroz que estavam no canto do prato.

Quem nunca presenciou uma cena destas ou pelo menos nunca ouviu falar nisto, não é verdade? Talvez você deva estar se perguntando: o que será que isso tem de importante, que aplicação prática tem na vida? Bem, meditando em algumas coisas estes dias, notei que esta imagem tem tudo a ver conosco, não importa a nossa idade. Somos como crianças que fazem cara feia diante de certos alimentos e cujo mundo perfeito seria todo coberto de guloseimas prontos para serem consumidos a qualquer momento.

Tantas vezes temos investido em apreciar os cantos de nossas fraquezas, fazendo o possível para ter um pouco de alegria, ainda que momentânea, usando com maestria como bem sabemos fazer, máscaras para manter os vícios, os pecados mais íntimos, a aparência de pessoas que de fato gostaríamos de ser, mas que não existem, para que absolutamente ninguém perceba quem de fato somos.

Tantas outras, "torcemos o nariz" diante da verdade, de uma palavra mais dura, porém necessária, principalmente quando ouvimos o que precisamos e não o que queremos, que estamos errados, que deixamos de fazer o que deveríamos; principalmente quando a advertência vem de Deus!

E o que mais me pertuba, perseveramos em conhecer a Deus pelas beiradas! Isso mesmo! Como assim? Muito simples, meu tempo, minhas habilidades e minha vida é fatiada como um bolo, e todos (família, amigos, relacionamentos, trabalho, diversão, etc) recebem uma parte significativa dela, mas quando se trata de Deus, muitas vezes, não há nada, e quando há, não passa de farelos!

Infelizmente, tenho percebido isto em minha própria vida... Quantas são as vezes em que deixamos o desânimo tomar conta, o tempo corre como o vento e quando vemos já é hora de dormir; o cansaço é tão grande que nem mesmo agradecemos pelo dia ou o sono nos encontra no meio da oração. Ao abrimos os olhos, a correria continua e as preocupações do dia nos rouba a paz, o tempo para refletir e meditar na Palavra de Deus e ouvir Sua voz. Daí os problemas apenas aumentam, devido a falta de buscar sabedoria agimos por impulso, por precipitação.

Uma coisa entendo, Deus nos ama de tal forma que deseja nos conhecer completamente, não apenas em nossa tristeza e adversidade, mas em todo o tempo, quando o riso tomar a expressão de nossa alma, quando as lágrimas habitarem em nossos olhos, em nossa infância e juventude, e quando as rugas fizerem vincos em nossos rostos, em nossos medos e certezas, no ventre materno e em nosso leito de morte.

Da mesma forma, quero conhecê-lo. Não pelas beiradas! Não pelas beiradas! Não quero ser como a criança assustada, que "assalta" a geladeira à noite para sorrateiramente degustar o doce proibido, que sem consciência esquece que o alimento que julga ser bom não sustenta e nem dá crescimento, como o que é saudável, o qual não tem vez em seu prato. Não quero passar a vida correndo atrás do vento, atrás de vaidades, esquecendo da prioridade máxima - conhecer a Deus e ser conhecido por Ele. "Buscar-me- eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração." (Jeremias 29.13)

Livra-nos Senhor de uma vida vazia, das beiradas desse precipício, ao qual, como loucos, procuramos nos agarrar. Por que de verdade, se for preciso abrir mão de algo, ainda que me custe certos "benefícios", farei, desejo fazer, para viver a vida que tens preparado para mim!

"Não quero viver de aparências, eu não vou viver de aparências, a minha máscara Jesus quebrou!" (Thiago Grulha)





On quinta-feira, 14 de outubro de 2010 8 comentários

Paz e graça a cada um dos leitores do Conversa Decente Cristã! Há algum tempo ando angustiada. É como se toda a tristeza existente no mundo estivesse sobre minhas costas, e por mais que tente, não consigo livrar-me deste sentimento, apenas por uma razão, sobre a qual iremos conversar e refletir um pouco hoje.




Algo de muito errado, de forma gradativa, tem crescido a passos largos. Seu nome é indiferença, e toda vez que paro pra pensar a respeito, vejo seus tentáculos maléficos nos prendendo no fundo do abismo chamado desamor, moldando nossa vida de forma trágica, nos cegando e tornando nossos ouvidos insensíveis aos gritos dos necessitados, nos matando a cada instante.

Sempre que ocorre algum tipo de desrespeito, por parte de nossos semelhantes, das autoridades ou dos governantes de nosso país a nossos direitos, mortes causadas por motivos fúteis, banais, pais se voltando contra filhos e vice-versa, quando olhamos para o próximo reduzindo-o a muito menos que um mísero cão abandonado na rua, quando nada mais faz sentido - citando aqui Philip Yancey em seu livro Maravilhosa Graça: "é mais fácil encontrar sexo em qualquer esquina do que um abraço acolhedor, de aceitação na igreja" - quando o que importa na verdade é o que possuímos e podemos oferecer e não o que somos, só posso pensar que, ainda que de forma indireta, somos os responsáveis!

Perdoem-me se isso parece insano, o leitor é livre para discordar, mas não posso pensar de modo diverso, há fundamento, infelizmente, no que estou dizendo. O escritor
Érico Veríssimo acertou ao escrever que o contrário do amor não é ódio, é indiferença. Tudo começa com pequenos gestos, olhares desatentos, perda de sensibilidade ao sofrimento alheio, endurecimento do coração, o hedonismo impera e o "eu" fala mais alto - é tudo para mim, quanto mais posses, dinheiro, status, influência e poder, melhor; dessa forma, farei o que quiser, posso oprimir, escravizar, torturar e até matar, e quem poderá me impedir? Isso não nos soa estranho, não é verdade?

A busca por prazer, segurança e poder, nos faz ganhar o mundo, mas em troca, nos leva o coração, o ser humano que somos, o amor por Deus e pelo próximo, então viramos fantoches da rotina, correria e de todo este sistema demoníaco. Pecamos por omissão, o farisaísmo e a hipocrisia passam a ser nossa bússola diária.

"E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos." (Mateus 24.12)


É tempo de parar de fingir que está tudo bem, de negligenciar os órfãos, desabrigados, viúvas e doentes. Tempo de enxergar que nosso país está sendo mal administrado e que a corrupção e todas as infâmias geradas por ela, não são devaneios, apesar de tudo acabar em pizza! Ocasião de deixar de argumentar contra o fato de que não somos bonzinhos, não fazemos nosso dever de casa como deveríamos, que somos pecadores, e que nem tudo que pensamos ou buscamos almejar é lícito ou louvável. Parar de disseminar a idéia falsa de que Deus é um conto da carochinha, que tudo está à mercê do acaso e que o amor não existe.

Está tudo errado! Parece clichê, eu sei, mas é a verdade! Não sei quanto a você, mas não quero fingir que o normal é ser indiferente, insensível, concordar com uma igreja voltada para si mesma, fechada, com cristãos revestidos de máscaras, compactuando com o pecado, portadores de amnésia espiritual, esquecendo como Jesus vivia - não visando nada além do que fazer a vontade do Pai.

Quero ser melhor do que tenho tentado ser até agora, poder amar a cada pessoa, não importando sua aparência e situação, olhar em seus olhos e ver não um objeto que posso manipular, mas alguém criado à imagem e semelhança de Deus, alguém por quem Cristo escolheu morrer. Desejo amá-las de tal forma que suas vidas sejam marcadas enquanto viverem, porque de nada adianta chorar ou demonstrar algum sentimento, ainda que verdadeiro, perante um túmulo, se o amor não for expresso e compartilhado no decorrer da vida!

Quero que os que estiverem ao meu lado saibam, que mesmo imperfeita e limitada, indiferente muitas vezes, os amo e desejo amar muito mais. E acima de tudo, quero amar a Deus de todo o coração, acima de qualquer circunstância! Anelo que isso seja uma realidade em minha vida e na de todos aqueles que chegarem a ler este texto.

Anseio alcançar o futuro, olhando para o presente e sentir que fiz diferença! Deixar passos eternos no tempo, passos que sejam raios brilhantes e cheios de esperança nos dias escuros e tempestuosos dos que sofrem, que eles possam guiar muitos à fonte da qual busco ser uma vertente - Jesus - e que através de minhas tímidas pegadas, muitas outras se desprendam do áspero e duro chão da indiferença para a torre forte, o farol resplandecente do Amor!

Esta é a minha oração e o meu convite neste dia! Quem se junta a mim?



On terça-feira, 14 de setembro de 2010 4 comentários


Tudo começou com uma discussão. As brigas continuaram, mas agora, o silêncio da indiferença ecoa nas vielas do seu ser, o amor que havia, se foi e o casamento que parecia tão sólido, ruiu. Você conhece a dor da perda, assistiu a muitos funerais, presenciou pessoas queridas se distanciarem, filhos, pais, esposas morrerem, amizades desfeitas, e tudo o que existe é um vazio e desespero tão intensos, quase palpáveis.

Todos perderam a confiança em você, porque se tornou um estranho, até perigoso. O seu vício é tamanho que já não basta se embriagar até cair ou simples cigarros, aumentou-se a dose e o que surte efeito é a cocaína e o êxtase; não existem mais escrúpulos, tudo é válido para sustentar esta situação: enganar, roubar, espancar e até matar.

Conhece também a forma como as pessoas o tratam. Olhos de acusação, línguas afiadas que dizem: “Olha só o perdedor. Não consegue emprego. Também pudera! Quem confia em um ex-presidiário?” ou então “Lá está aquela mulher de vida fácil, uma prostituta. Não fale com ela, não se aproxime, ela é nociva!”

Em determinado momento, você gastou um pouco além do esperado, perdeu o controle da situação e sua dívida é tão grande, que não sabe o que fazer, a quem recorrer. Vive só, abandonado, ao relento, à própria sorte, em ruas violentas, em meio aos transeuntes de coração mais gélido que a neve. A fome, o frio, a perda de identidade, falta de amor, o estereótipo de desocupado, de vagabundo, são uma constante em seu dia.

Perversão é o seu lema. Você é um explorador, um sádico que abusa de crianças, e o seu prazer infame só é consumado, muitas vezes, com o óbito de um inocente. Você sofreu tanto e agora isso? Descobriu que lutou até mesmo quando não existia força alguma contra esta doença, mas são poucos os seus dias.

Ou simplesmente um cristão, que depois de tantas lutas, mesmo presenciando a grandeza de Deus, está desgastado, anda aos trambolhões em sua fé pequena e em seu desânimo. A lista é enorme... Você conhece a escuridão, o frio, o medo e o silêncio sempre constantes e crescentes da caverna.

Na vida, não importa quem você é ou o que faz, o tamanho da sua conta bancária, sua cor, a religião que professa ter, se é influente ou está renegado a viver às margens da sociedade, culto ou iletrado. Nada disso poderá poupá-lo de adentrar o sombrio ambiente das cavernas que nos estão reservadas. Isso é fato!

Mas, hoje, quero compartilhar a história de um homem que sabe bem a que me refiro. O nome dele? Elias. Quem ele era? Um grande profeta que desafiou os famosos e cruéis Acabe e Jezabel, rei e rainha de Israel e os 450 falsos profetas de Baal e prevaleceu. Um homem excepcional que andava com Deus, ouvia Suas palavras e era direcionado por Ele. Mas houve um dia, em que as adversidades enfrentadas por ele chegaram a tal ponto, que decidiu fugir para o deserto e morrer. Suas forças se extinguiram, o cansaço passou a fazer parte de sua vida, e então Elias entrou na caverna, literalmente.

Convido-o a acompanhar comigo esta história no livro de 1 Reis 19:1-13, que diz assim:

“Acabe fez saber a Jezabel tudo quanto Elias havia feito e como matara todos os profetas à espada. Então, Jezabel mandou um mensageiro a Elias a dizer-lhe: Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles. Temendo, pois, Elias, levantou-se, e para salvar sua vida, se foi, e chegou a Berseba, que pertence a Judá; e ali deixou o seu moço.

Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais. Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come.

Olhou ele e viu, junto à cabeceira, um pão cozido sobre pedras em brasa e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir. Voltou segunda vez o anjo do Senhor, tocou-o e lhe disse: Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo. Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus.

Ali, entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio a palavra do Senhor e lhe disse: Que fazes aqui, Elias? Ele respondeu: Tenho sido zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida.

Disse-lhe Deus: Sai e põe-te neste monte perante o Senhor. Eis que passava o Senhor; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do Senhor, porém o Senhor não estava no vento; depois do vento, um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto; depois do terremoto, um fogo, mas o Senhor não estava no fogo; e, depois do fogo, um cicio tranqüilo e suave.

Ouvindo-o Elias, envolveu o rosto no seu manto e, saindo, pôs-se à entrada da caverna. Eis que lhe veio uma voz e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?”

Meditando neste texto, aprendemos algumas coisas muito especiais:

Aprendemos que desertos e cavernas, apesar de áridos, difíceis e locais de tentação, são lugares onde encontramos o Senhor! Observe que em nenhum momento Deus esteve ausente da trajetória que Elias estava trilhando. Foi assim com Moisés e o povo de Israel, durante quarenta anos no deserto e é assim também conosco hoje. Prefiro estar no deserto com o Senhor, do que em um oásis longe dEle!

Aprendemos que Deus supre nossas necessidades. No deserto, Ele enviou um anjo para fortalecer Elias, suprindo suas necessidades físicas, espirituais e preparando-o para que tivesse condições de seguir em frente e se encontrar com Deus na caverna.

Aprendemos que o silêncio das cavernas não é casual. Tem o propósito de desenvolver em nós a sensibilidade espiritual para ver e ouvir o Senhor em qualquer situação, por mais adversa que esta seja. Elias teve esta percepção, ele sabia que não precisava de grandes acontecimentos, de façanhas para sentir a presença do Senhor. Ele sabia que Deus também se revela no que é pequeno, singelo e que passa despercebido por muitos.

Infelizmente, é o que mais ocorre conosco. Estamos tão ocupados, necessitados de respostas, que na nossa confusão, na vida agitada que levamos, perdemos oportunidades de ouvir o Senhor falar conosco, porque achamos que Ele só fala em grandes convenções, congressos cheios de pessoas, com pregadores saturados de fama humana.

Aprendemos que Deus nos tira da caverna, como fez com Elias. Ele nos chama para fora dela, e nos habilita a seguirmos adiante, nos fortalecendo e nos dando a certeza de que estará conosco em todos os momentos. Não entramos em cavernas por acaso, muitas vezes, somos nós mesmos que nos dirigimos para lá, seja por nossos pecados, por nossa arrogância, precipitação, e é certo que o Senhor não se agrada que fiquemos lá, mas outras vezes, é Ele quem nos conduz até lá, não para nos punir, mas para nos ensinar algo, para nos provar, e não se engane, por mais doloroso que isso possa ser, Ele só nos chamará e nos guiará para longe desse nevoeiro quando estivermos prontos.

E por fim, aprendemos que chegará o tempo de sairmos da caverna. Mas o que acontece é que nos psicoadaptamos tanto com a escuridão, com os problemas, chegamos até mesmo a tirar alguns “benefícios” disso, que perdemos a noção de que é tempo de sair da escuridão da caverna para a luz de um novo dia. “O que fazes aqui, Elias?” Faça a si mesmo esta pergunta.

Em tudo isto, também aprendo Senhor, que não somos super heróis, não adianta fingir, não somos diferentes no tocante a este assunto. Muitos estão neste momento, como eu, na caverna, e tantos que nos rodeiam nem ao menos percebem isto. Mas eu também aprendo que, cedo ou tarde, o silêncio que reina em nossa caverna pessoal será rompido por Tua doce voz, e quando isto acontecer, e estou certa, vai acontecer, não seremos os mesmos, sairemos mais fortes, com ânimo renovado, provados pelo fogo das adversidades – e que importa que fiquem as marcas? – as cicatrizes serão apenas mais um lembrete de que passamos pelo teste e fomos aprovados, continuamos firmes rumo ao alvo – Jesus Cristo!

“Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos.” (2 Coríntios 4.8-9)

“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas cousas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem, são eternas.” (2 Coríntios 4.17-18)

Ele está presente! Acredite! Em cada momento, no seu vale, na sua alegria. Deus está!

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